José Mourinho a explicar a sua estratégia para derrotar um Barcelona no seu pico de forma mostra a sua absurda atenção ao detalhe

José Mourinho não se poupou a pormenores na preparação para um confronto da Liga dos Campeões contra o Barcelona em 2010, e desconstruiu de forma incrível a estratégia e a forma como organizou a sua equipa do Inter de Milão para tentar derrotar um Barcelona que estava no seu pico de forma.

 

Apesar de os titulares terem assumido uma liderança antecipada através de Pedro, a equipa italiana partiu de trás para vencer por 3-1 no San Siro graças aos golos de Wesley Sneijder, Maicon e Diego Milito – que marcou dois contra o Bayern de Munique na final.

O Inter de Milão, claro, ganhou o maior prémio do futebol europeu nesse ano mas, para muitos, foi esse desempenho contra um Barcelona no seu auge que será lembrado durante décadas. Então, como é que Mourinho conseguiu vencer Pep Guardiola naquela noite?

O Special One sentou-se com o The Coaches’ Voice para discutir como é que ele venceu os gigantes catalães. E foi uma verdadeira lição…

Mourinho é conhecido por por esmiuçar tudo o que podem ser vistos como detalhes antes de um jogo e ao lado de André Villas-Boas no Chelsea, é justo dizer que os dois técnicos portugueses fizeram os seus trabalhos de casa quando se tratou de quebrar uma equipa experiente do Barcelona em 2005/06.

Aqui está uma análise de bastidores das suas tomadas de decisão como treinador do Chelsea antes daquele confronto da Liga dos Campeões.

Confere de seguida alguns dos destaques abaixo através da Performance Analysis in Action.

Mourinho e Villas-Boas escreveram sobre Carles Puyol: “Agressivo, mas muito emocional. Fica louco com o árbitro em faltas contra ele e fica passado com provocações. É um defesa agressivo, e joga em antecipação utilizando [o seu] corpo”.

“Mau sentido posicional (chega ao meio-campo com o avançado) e má liderança da defesa (quer fazer fora de jogo quando isso não é possível). Como ele usa a força do seu corpo para recuperar a posse de bola, podemos provocar contactos no último terço ou fora da área. Boa capacidade e poder de cabeceamento”.

Mourinho e Villas-Boas sobre Andrés Iniesta: “Vem sempre do banco. Um jogador muito dinâmico. Grande raio de ação. Velocidade de movimento e velocidade de execução. Jogador traiçoeiro de defender”.

Mourinho e Villas-Boas sobre Ronaldinho: “Qualidade técnica para evitar o defesa ao primeiro toque. Quando aberto recebe a bola e tenta sempre o 1 vs. 1 (dentro para rematar ou fora para cruzar). Muito mais perigoso quando cria espaços dentro (entre linhas) dessas posições. O passe liberta Messi, Eto’o ou o médio que está a entrar Muito fraca transição defensiva e trabalho defensivo – algo a explorar. Batoteiro constante – cai facilmente”.

O antigo treinador do Manchester United e do Real Madrid estava bem consciente da ameaça imposta por Lionel Messi, que tinha entrado na equipa sénior do Barcelona dois anos antes.

Mourinho e Villas-Boas sobre Messi: “Qualidade + velocidade, mas muito à esquerda. Exatamente os mesmos comportamentos que Ronaldinho. Encoraja a equipa para a frente com a condução de bola. Incrível 1 vs 1. Se a opção é fazer falta, é importante fazê-lo fora da área e o mais cedo possível. Recuperou de uma lesão recentemente”.

Para quem gosta, é uma análise fascinante.