Os preços dos alimentos no mundo inteiro estão a aumentar mais depressa que os rendimentos das pessoas

Os preços dos alimentos no mundo inteiro estão a aumentar mais rapidamente do que os rendimentos das pessoas, e os peritos têm alertado de que a situação “só vai piorar”.

 

Segundo uma reportagem recente da Bloomberg, o receio em relação à fome e à subnutrição está a aumentar em todo o mundo, uma vez que a atual pandemia continua a ter um impacto económico muito negativo.

Os preços dos alimentos nos EUA terão aumentado perto de 3% no ano passado, aproximadamente o dobro da taxa de inflação global. Este salto afetará sobretudo as famílias com dificuldades que já foram colocadas numa situação complicada.

De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA, os americanos mais pobres já gastam 36% dos seus salários em alimentos. Agora, os despedimentos em massa de trabalhadores com salários mais baixos têm colocado uma tensão crescente nos orçamentos domésticos.

Além disso, o preço dos produtos básicos, tais como grãos, sementes de girassol, soja e açúcar, aumentou, atingindo o preço mais alto dos alimentos a nível mundial em seis anos.

Sylvain Charlebois, diretor do Agri-Food Analytics Lab da Universidade de Dalhousie, no Canadá, alertou para a seguinte situação: “O preço dos produtos alimentares não deverá descer em breve devido a uma combinação de mau tempo, aumento da procura e cadeias de abastecimento globais que foram afetadas pela pandemia: “As pessoas terão de se habituar a pagar mais por comida. Só vai piorar”.

Esta questão estende-se muito além dos EUA, com os preços dos alimentos em todo o mundo a registarem uma subida acentuada. A Bloomberg informa que o preço do tofu na Indonésia é agora 30% mais elevado do que em Dezembro, enquanto que o preço do feijão preto no Brasil aumentou 54% em comparação com Janeiro de 2020.

Entretanto, na Rússia, os compradores estão agora a pagar mais 61% do que pagavam há apenas um ano atrás pelo açúcar. Tanto a Rússia como a Argentina colocaram agora restrições de preços em certos produtos básicos, ao mesmo tempo que aplicaram tarifas às exportações para tentar conter os preços domésticos dos alimentos.