Suíça oferece bilhetes de viagem a sem-abrigos para onde quiserem, para “limpeza da cidade”

 

A cidade de Basileia, na Suíça, está alegadamente a tentar diminuir a população dos sem-abrigo, oferecendo bilhetes somente de ida para qualquer outro lugar na Europa à sua escolha.

Localizada no noroeste da Suíça, no rio Reno, Basileia é a terceira maior cidade do país e tem uma população de pouco mais de 170.000 habitantes.

É elogiada pelo seu cenário artístico, mercados alimentares e arquitetura histórica, mas o serviço de imigração da cidade parece não estar impressionado com aqueles que residem na cidade sem casa permanente, assim como oferece os bilhetes de comboio só de ida, numa tentativa de os levar para fora.

De acordo com um relatório do 20 Minutes, qualquer pessoa que se encontre sem abrigo pode solicitar um vale de transporte ferroviário se estiver disposto a assinar um contrato escrito prometendo não regressar à Suíça durante um determinado período de tempo.

Toprak Yergu, porta-voz do Departamento de Justiça de Basileia, disse à publicação que se aqueles que utilizam os bilhetes forem apanhados a violar o contrato, correm o risco de serem deportados.

 

Diz-se que um total de 31 pessoas aproveitaram a oferta até agora, incluindo sete pessoas da Bélgica, sete da Alemanha, duas da Itália e 14 da Roménia, para quem, se diz que a cidade, organizou voos para a capital romena de Bucareste.

O sistema controverso não é o primeiro caso em que as autoridades utilizaram bilhetes de ida para reduzir o número de sem-abrigos, com uma investigação do Guardian, a partir de 2018, revelando que conselhos no Reino Unido foram anteriormente responsáveis por ofertas semelhantes.

Dados indicam que 6.810 bilhetes de viagem foram adquiridos em 83 condados em Inglaterra e no País de Gales desde 2015, com “políticas de reconexão” destinadas a encorajar aqueles que não têm um lar permanente a regressar voluntariamente às áreas onde tinham família e redes de apoio.

As autoridades locais na altura alegadamente defenderam a política, salientando que os bilhetes eram aceites voluntariamente, embora alguns dos que foram alvo do programa tenham dito que lhes tinham sido oferecidos bilhetes para lugares onde nunca tinham estado e sentiram que não lhes tinha sido dada uma escolha.

O processo foi criticado por alguns ativistas, que o descreveram como “limpeza das ruas” e uma abdicação de responsabilidade.